quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Cirque du Soleil

Dispensa apresentações! Há dois anos fui ao Quidam, e foi um dos espetáculos mais impressionantes que já assisti. Porém gostaria que vissem um número do Dralion, pra mim um dos números mais impressionantes de malabarismo já visto feito pelo extraordinário Viktor Kee, nome artístico de Viktor Kiktev. Ucraniano, desde os quatro anos fazia ballet. Aos seis, seu irmão o levou para a escola de circo Uday. Treinou em diversas especialidades circenses, mas achou seu caminho -obviamente, vocês verão - no malabarismo. Em 1989 entrou para a Escola de Circo Profissional de Kiev, onde desenvolveu um treinamento altamente especializado de até quatorze horas por dia em malabarismo, teatro, dança e equilibrismo. Sua técnica chamou a atenção do coreógrafo Nicolay Baranov, e acrescentando contorcionismo e acrobacia, resolveram desenvolver um número inigualável. Ganhou inúmeros prêmios circenses em todo mundo, e em 1999 juntou seu número ao Dralion do Cirque du Soleil. Seu desempenho é majestoso! Sua inteligência corporal e equilíbrio surpreendentes! Chega de blábláblá... Eis Viktor Kee!

Sacanagem para evangélicos???!!!!

Senhoras e senhores leitores deste blog...sem querer me deparei com esta matéria na Yahoo Notícias, hoje, 12 de janeiro. Desculpem, não é muito o tipo de matéria que desejo para este blog, mas foi impossível não notá-lo. Abster-me-ei de comentá-lo.
Vejam na íntegra:
Evangélicos também gostam de sexo!
Religião e sexo nunca foram assuntos que andaram lado a lado. Para muitas crenças, o sexo é apenas parte do processo reprodutivo e o prazer é condenado. Outros acreditam que o sexo deva ser feito apenas depois do casamento e apenas com a pessoa que Deus escolheu para você.
E onde tem sexo, tem gente investindo para deixar tudo mais... divertido! É o que vem acontecendo, nos últimos anos, com a indústria gospel. Isso mesmo, indústria gospel relacionada ao mundo do sexo! Essa semana todo mundo resolveu falar de uma empresa que está produzindo filmes eróticos evangélicos. Todas as obras têm enfoque claro e seguem regras de conduta: os protagonistas dos filmes são casais — marido e mulher mesmo - na vida real, todas as cenas seguem preceitos do sexo cristão — e tem a religião como princípio -, nunca é extraconjugal e práticas como ménage, sadomasoquismo e nudismo (!) são impensáveis.
A ideia desses filmes é ensinar aos casais cristãos como eles podem ter e proporcionar prazer de acordo com a Bíblia — incluindo posições sexuais e tratamentos respeitosos ao órgão do outro. Mas a indústria do sexo gospel não é baseada apenas em filmes em que, pelo que eu entendi, rola sexo de roupa. Também há outras... atividades nesse mercado. Quer conhecer?
Sex shop para casais religiosos
Apimentar a relação de acordo com preceitos da Bíblia é a missão de alguns sex shops online. O Book 22 foi o primeiro deles e a história é que o casal que o criou estava, segundo o site NPR.com, cansado de buscar soluções para sua vida sexual e só encontrar pornografia.
Existe também o My Beloved Garden, que oferece produtos para casados. E há também o Intimacy of Eden. Mas não se assuste se o que você encontrar nessas lojas for igual ao que vê em outras sex shop, o que muda é só o nome. Eles vendem o produto e cada um usa como quer, então...
Pole dance para Jesus
Uma americana resolveu criar o esporte e fez algumas mudanças nas aulas convencionais de pole dance, ou dança do poste. Primeiro, as músicas: nada de música de boate, apenas louvores cristãos ou músicas gospel populares. Depois, os movimentos, que não são tão sensuais quando nas aulas normais, afinal, é um momento de adoração.
Além disso, é um exercício físico que deixa as mulheres mais fortes para lidar com os problemas do dia a dia.
"Eu acho que não há nada de errado com o que eu faço. Eu ensino mulheres a se sentir bem consigo mesmas, ensino elas a sentirem-se poderosas. Qualquer um que quiser me julgar, Crystal Deens, criadora da modalidade, para a rede de TV americana Fox News.
Swing gospel
Esse é o nome de um grupo musical que canta temáticas religiosas, mas não é sobre eles que estamos falando. O swing gospel do qual estamos falando é igualzinho àquele não religioso, em que as pessoas trocam de casal e fazem sexo por puro prazer, sem sentimentos ou ligações matrimoniais.
Não há uma casa especializada na prática também conhecida como "sono inocente", mas foram encontrados alguns anúncios em classificados sexuais de casais evangélicos procurando moças evangélicas para fazer parte do relacionamento.
E então, casais evangélicos também sofrem com a monotonia do sexo e curtem apimentar a relação de vez em quando?

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Um presente dos árabes.

Chegara no ano de 773 em Madinat al Salam, a cidade da paz, Bagdá, uma caravana vinda da Índia carregada de presentes para o Califa Abu Ja'far Abdallah ibn Muhammad al-Mansur (712-775). Entre estes havia um extremamente especial.
Bagdá era uma cidade redonda. Uma muralha circular geometricamente perfeita a envolvia. No centro exato desse círculo havia a mesquita e o palácio do califa. Dessas duas construções partiam quatro largas ruas para as quatro direções da cidade terminando em quatro portões da Muralha, entradas e saídas da cidade. Por um desses portões, Khorasan, adentrara a caravana que trazia os presentes para o citado califa, o Comandante dos Crentes, descendente direto de Maomé, título supremo do Islã, que neste fim de século VIII já contava com um enorme número de fiéis entre a península Ibérica, Magreb, Líbia, Egito, Arábia, Síria, Turquia, Iraque, Irã, Cáucaso, Punjab e logo depois a Sicília.
Para essa grande população e área deveria haver, além da religião, outras formas de agregação. Era necessário sobretudo uma língua comum. Nascida no deserto e falada por poucos grupos, a jovem língua árabe era a eleita, mas era preciso enriquecê-la para que pudessem expressar as novas noções, conhecimentos, particularidades desses povos recém islamizados. Essa belíssima tarefa, "criar" uma nova língua precisava necessariamente dos livros.
Um bairro de Bagdá, el Karkh, houve o maior mercado de livros da história antiga. Obras de toda parte eram negociadas. Bagdá tornou-se a nova Alexandria. Depois de al-Mansur o lendário Harun al-Rachid,(766-809), para quem foi escrito As mil e uma noites, construiu a grande Biblioteca, herdeira legítima da egípcia. Seu filho, al-Mamun, construiu a Beith al-Hikma, a Casa da Sabedoria, um grande museu, além do observatório astronômico. Entretanto, todas as obras que chegavam à cidade ainda não eram escritas em árabe. Era preciso traduzi-las. Formou-se um vasto corpo de sábios tradutores. Tinham que ser sábios, haja vista a natureza das obras a que deviam traduzir. Imaginem que trabalho fascinate!!!... Meu deus...Traduzir textos científicos e filosóficos de todas as partes para uma língua ainda "bebê", e consequentemente, ajudando a formá-la. Vastas oficinas de caligrafia com centenas de escribas trabalhavam incessantemente para encher a Biblioteca.
Apenas para ilustrar a importância que davam ao conhecimento e aos livros: al-Mamun, (Abû al-`Abbâs al-Ma'mûn `Abd Allah ben Hârûn ar-Rachîd - 786-833) o fundador do observatório e da Casa da Sabedoria, racionalista, apaixonado por Aristóteles, reunia sábios de todas as religiões e os mantinha com extrema tolerância. Certa vez, após guerrear contra tropas bizantinas, fez muitos prisioneiros de guerra cristãos. Acordou com o Imperador Romano do Oriente a paz. Trocou os prisioneiros por livros. Entre esses, o Almagesto, tratado astronômico de Ptolomeu. Extrema elegância! Soldados por livros.
Bem...voltemos a caravana...Havia, como já havia dito um presente especial. Especial para toda a humanidade. Inclusive nos possibilitou de estarmos interagindo eletronicamente, ciberneticamente. Era o Siddhanta, um tratado de astronomia escrito séculos antes por Brahmagupta(589-668). Imediatamente traduzido, assumiu o nome árabe Sindhind. Havia na obra dez figuras geniais, de uma simplicidade majestosa, que revolucionaram o pensamento. Seus nomes: eka, dva, tri, catur, panca, sat, sapta, asta, nava...e o misterioso sunya, que em sânscrito significa "vazio". Na tradução para o árabe sunya virou sifr, depois para o latim, zephirum, e para o italiano zero.
Estava começando então, através dessas simples figuras indianas, toda uma aventura da humanidade em busca do conhecimento.

sábado, 7 de janeiro de 2012

A Arte de Falar Mal. Cemitério de Praga (2)

Que livro maravilhoso!... Mais uma "provinha". O protagonista, Simonini, em sua arte de falar mal:
Judeus - "...aqueles olhos que nos espiam, tão falsos que nos fazem empalidecer, aqueles sorrisos víscidos, aqueles lábios de hiena arreganhados sobre os dentes, aqueles olhares pesados, infectos, embrutecidos, aquelas dobras entre nariz e lábios sempre inquietas, escavadas pelo ódio, aquele nariz que parece o grande bico de uma ave austral... E o olho, ah, o olho... Gira febril na pupila da cor de pão tostado e revela enfermidades do fígado, corrompido pelas secreções produzidas por um ódio de 18 séculos,(...) além de vaidoso como um espanhol, ignorante como um croata, cúpido como um levantino, ingrato como um maltês, insolente como um cigano, sujo como um inglês, untuoso como um calmuco, autoritário como um prussiano, e maldizente como um astiense, é adúltero por um cio irrefreável..."
Alemães - "... o mais baixo nível concebível de humanidade. Um alemão produz em média o dobro das fezes de um francês. Hiperatividade da função intestinal em detrimento da cerebral(...)é típica do alemão a bromidrose, ou seja, o odor repugnante do suor(...)O alemão vive em um estado de perpétuo transtorno intestinal, resultante do excesso de cerveja e daquelas salsichas de porco com as quais se empanturra(...)O abuso da cerveja torna-os incapazes de ter a mínima ideia da sua vulgaridade(...)Levaram a sério um monge glutão e luxurioso como Lutero, só porque arruinou a Bíblia traduzindo-a para a língua deles. Alguém não disse que abusaram dos dois narcóticos europeus, o álcool e o cristianismo?(...) Desgraçadamente essa língua inexpressiva, com verbos que, ao ler, temos que procurar ansiosamente com os olhos, porque nunca estão onde deveriam estar,(...)"
Franceses - "Não amam seus semelhantes, nem quando tiram vantagem deles.(...)São maus. Matam por tédio. É o único povo que durante vários anos manteve seus cidadãos ocupados em se cortarem reciprocamente a cabeça, e a sorte foi que Napoleão desviou-lhes a raiva para os de outra raça, enfileirando-os para destruir a Europa. Orgulham-se de ter um estado que afirmam poderoso, mas passam o tempo tentando derrubá-lo: ninguém é tão eficiente como o francês em erguer barricadas por qualquer razão e qualquer sussurro do vento(...)O francês não sabe o que quer, exceto que sabe à perfeição que não quer aquilo que tem. E, para dizer isso, não sabe mais do que cantar canções.(...)Talvez sua ignorância seja efeito de sua avareza - o vício nacional(...)Enxertem, como se faz com as plantas, um francês com um judeu (talvez de origem alemã) e terão aquilo que temos, a terceira república..."
Italianos - "Os piemonteses, toda novidade os crispa, o inesperado os aterroriza;(...)napolitanos e sicilianos, eles mesmos mulatos não por erro de uma mãe meretriz, mas pela história de gerações, nascidos de cruzamentos entre levantinos desleais, árabes suarentos e ostrogodos degenerados, que herdaram o pior de seus antepassados híbridos: dos sarracenos a indolência, dos suevos a ferocidade, dos gregos a irresolução e o gosto por se perder em tagarelices até procurar cabelo em ovo.(...)O italiano é inconfiável, vil, traidor, sente-se mais à vontade com o punhal que com a espada, melhor com o veneno que com o fármaco, escorregadio nas negociações, coerente apenas em trocar de bandeira a cada vento(...)"
Os padres - "tenho a obscura lembrança de olhares fugidios, dentaduras estragadas, hálito pesado, mãos suadas que tentavam me acariciar a nuca. Que nojo. Ociosos, pertencem às classes perigosas, como os ladrões e os vagabundos. O sujeito se faz padre só para viver no ócio, e o ócio é garantido pelo número deles. Se fossem, digamos, um em mil almas, os padres teriam tanto o que fazer que não poderiam ficar de papo para o ar comendo capões. E entre os padres mais indignos o governo escolhe os mais estúpidos, e os nomeia bispos. Você começa a tê-los ao seu redor assim que nasce, quando o batizam; reencontra-os na escola, se seus pais tiverem sido suficientemente carolas para confiá-lo a eles; depois vêm a primeira comunhão, o catecismo e a crisma; lá está o padre no dia do seu casamento, a lhe dizer o que você deve fazer no quarto; e no dia seguinte, no confessionário, a lhe perguntar, para poder se excitar atrás da treliça, quantas vezes você fez aquilo. Falam-lhe do sexo com horror, mas todos os dias você os vê sair de um leito incestuoso sem sequer lavar as mãos, e vão comer e beber o seu Senhor, para depois cagá-lo e mijá-lo. Repetem que seu reino não é desse mundo, e metem as mãos em tudo o que podem roubar. A civilização não alcançará a perfeição enquanto a última pedra da última igreja não houver caído sobre o último padre, e a Terra estiver livre dessa corja.(...)A religião impeliu e impele às guerras, aos massacres dos infiéis, e isso vale para cristãos, muçulmanos e outros idólatras, e, se os negros da África se limitavam a se massacrar entre si, os missionários os converteram e os fizeram tornar-se tropa colonial, adequadíssima a morrer na primeira linha e estuprar as mulheres brancas quando entram em uma cidade. Os homens nunca fazem o mal tão completa e entusiasticamente como quando o fazem por convicção religiosa."

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Umberto Eco. O Cemitério de Praga (1).

Escritor, filósofo, linguista, historiador, semiólogo...gênio. Professor de semiótica e diretor da escola superior de ciências humanas na Universidade de Bologna. O primeiro livro que li deste senhor chama-se A Ilha do dia Anterior, que trata da resolução do problema das longitudes à época dos descobrimentos. Fabuloso. Depois li o genial O Nome da Rosa. Indescritível. Li ainda alguns contos. Indico a todos a leitura deste escritor. Estou iniciando agora mais um: O Cemitério de Praga. Para um gostinho. Escrito na margem da capa sobre a obra: "Ao longo de todo o séc. XIX, entre Turim, Palermo e Paris, encontramos uma satanista histérica, um abade que morre duas vezes, alguns cadáveres no esgoto parisiense, um garibaldino que se chamava Ippolito Nievo, desaparecido no mar nas proximidades de Stromboli, o falso bordereau de Dreyfus para a embaixada alemã, a disseminação gradual da falsificação conhecida como protocolo de Sião (que serviria de inspiração a Hitler para os campos de concentração)..." Começarei amanhã a ler.
Mas, para dar água na boca a vocês, transcreverei uma pequena passagem de profundidade espantosa. Ave, Umberto Eco:
"Osman Bey é um fanático e, além disso, é judeu. Melhor manter distância dele. Eu não quero destruir os judeus, até ousaria dizer que os judeus são meus melhores aliados. Estou interessado na firmeza moral do povo russo e não desejo (ou as pessoas que pretendo agradar não desejam) que esse povo dirija suas insatisfações contra o czar. Portanto, ele precisa de um inimigo. É inútil ir procurar o inimigo, que sei eu, entre os mongóis ou entre os tártaros, como fizeram os autocratas antigamente. Para ser reconhecível e temível, o inimigo deve estar em casa ou na soleira de casa. Eis porque os judeus. Eles nos foram dados pela Divina Providência, então vamos usá-los, meu Deus, e rezemos para que haja sempre um judeu a temer e a odiar. É necessário um inimigo para dar ao povo uma esperança. Alguém já disse que o patriotismo é o último refúgio dos canalhas: quem não tem princípios morais costuma se enrolar em uma bandeira, e os bastardos sempre se reportam à pureza de sua raça. A identidade nacional é o último recurso dos deserdados, Muito bem, o senso de identidade se baseia no ódio, no ódio por quem não é idêntico. É preciso cultivar o ódio como paixão civil. O inimigo é o amigo dos povos. É sempre necessário ter alguém para odiar, para sentir-se justificado na própria miséria. O ódio é a verdadeira paixão primordial. O amor, sim, é uma situação anômala. Por isso, Cristo foi morto: falava contra a natureza. Não se ama alguém por toda a vida; dessa esperança impossível nascem adultérios, matricídios, traições dos amigos... Ao contrário, porém, pode-se odiar alguém por toda a vida. Desde que esse alguém esteja sempre ali, para reacender nosso ódio. O ódio aquece o coração."
Obrigado, Eco, por esse discurso prelúdio de Hitler.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Paco de Lucia

Prezo sempre os clássicos, em tudo. Concordo com a subjetividade dos gostos, mas creio que há o universalmente bom, belo, agradável, elegante. Quando eu tinha uns oito anos de idade, me deparei com um LP do meu pai de um cara chamado Paco de Lucia. Não sabia que esse "cara", Francisco Sanchez Gomes, mais conhecido pelo seu nome artístico Paco de Lucia, é um dos maiores violonistas do mundo. Ficava ouvindo incessantemente Entre dos Aguas... era, e é até hoje hipnótico. Ouçam as duas versões, ao vivo e em estúdio, e vejam se concordam.

Béjart e Bolero de Ravel.

Não tem muito o que dizer...
Maurice-Jean Berger, ou simplesmente Béjart, um dos maiores coreógrafos contemporâneos. Criou em 1961 a célebre coreografia para o lindo Bolero de Ravel. Vejam com a belíssima Maya Plisetskaya. Fascinante.
Deleitem-se.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Atrás dos frios números. Galois.

Sempre tive curiosidade de descobrir quem são as pessoas por trás das coisas que levam os nomes delas. Na matemática não é diferente. Teorema de Tales, teorema de Euler, Fórmula de Báskara, e muitos outros. Quando as estudamos, os números se apresentam de forma fria, e não nos dão o menor indício de quem foi o humano que a desenvolveu, sua história, alegrias, sofrimentos.
Apresento, então, Évariste Galois.
Nascido em 25 de outubro de 1811 em Bourg-la-Reine. Desde muito novo já demonstrava sua genialidade matemática. Seu Pai, Nicolas Gabriel Galois era o prefeito da cidade. Era um homem culto e cortês, amado pela comunidade. O retorno de Napoleão e a volta da monarquia não o depuseram do posto nesta época turbulenta da história francesa.
Foi estudar no Liceu Louis-le-Grand em 1823, onde não havia curso em especialização matemática. Eis o que os professores escreviam em seu boletim escolar:"sempre fazendo o que não deve", "piora a cada dia", "modos um tanto estranhos", "péssimo comportamento, caráter pouco aberto", "creio que tem pouca inteligência ou, em todo caso, escondeu-a tanto que não pude descobri-la". Sabia muito mais do que o suficiente para passar nas provas, mas seus cálculos e sua lógica eram tão sofisticados que os professores não conseguiam entender. Além do mais, seu ímpeto político a favor da república o tornava um rebelde de difícil temperamento. Aos dezessete anos tentou entrar para a École Polytechnique, a mais prestigiada do país, e de reputação republicana. Foi reprovado pela deficiência na prova oral. Tentou uma segunda vez, e novamente seus insights lógicos confundiram o examinador, Monsieur Dinet, sentindo uma nova reprovação a caminho, jogou o apagador em Dinet, acertando-o, e nunca mais entrou na Polytechnique.
Prosseguiu sozinho com suas pesquisas. Seu grande interesse era as resoluções das raízes das equações. E tinha obsessão pela equação de quinto grau, até então sem solução. Apresentou um trabalho à Academia de Ciências. Augustin Cauchy, o recebera, mas no dia da apresentação à banca da academia adoecera. Logo se recuperou, mas perdera o trabalho. Galois escreveu então a "Memória sobre as condições de solubilidade das equações por radicais", para concorrer ao Grande prêmio de matemática da academia. Desta vez entregou o trabalho a Fourier, o das famosas séries, porém, morreu antes de apresenta-lo à banca do concurso.
Durante esse período, 1829, chega à cidade de Galois um padre jesuíta antipático aos ideais republicanos de Nicolas Gabriel, ainda prefeito. Para depô-lo, escreveu versos e folhetins atacando os membros da comunidade, com sua assinatura. O velho Galois, não suportando a ridicularização e a fúria dos cidadãos, suicidou-se. Antes, escrevera uma carta de despedida ao filho. Em meio ao seu enterro, com Évariste presente, ocorre uma briga entre os partidários do prefeito e suas desavenças, e se transforma em tumulto. O caixão é atirado pra dentro da cova.
Pela terceira vez Galois tentaria apresentar seu trabalho à academia, em 1831. Desta vez foi recebido por Denis Poisson, que é conhecido principalmente por uma bela lei das probabilidades, examinou e escreveu o resultado: "Fizemos o possível para compreender a demonstração do Sr. Galois. Seus raciocínios não são nem bastante claros, nem bastante desenvolvidos para que pudéssemos julgar sua exatidão, e nem sequer se estaríamos em condição de dar uma uma idéia deles no parecer." Estava na prisão quando soube da reprovação da academia.
Ingressara em 1830 na Artilharia da Guarda Nacional, uma milícia republicana conhecida como "os inimigos do povo". Devido ao seu extremismo, foi preso pela primeira vez, em Saint-Pélagie, acusado de atentar contra a vida do rei, o qual passou um mês. Foi absolvido por falta de provas. Um mês depois de solto foi preso novamente, agora por seis meses. Passou a beber e tentou se matar na prisão.
Uma semana antes do fim da sentença, ocorreu uma epidemia de cólera em Paris e os presos foram soltos. Um pouco depois, ele teve um romance com Stéphanie-Felice Poterine du Motel, uma jovem noiva de um amigo político. O problema era que o "amigo", Pescheux d’Herbinville, era um dos melhores atiradores da França. Desafiou-o a um duelo. Na noite anterior, certo que perderia, escreveu uma carta ao seu amigo Auguste Chevalier. Na carta, ele faz um apanhado dos trabalhos que enviou a Cauchy e Fourier, entremeadas por exclamações de tristeza e pela amada. A carta era um resultado do seu desespero, nas margens haviam cálculos, frases como: "não tenho tempo", entre outros devaneios. Pede ao amigo, por fim, que se caso morresse entregasse a carta aos grandes matemáticos da Europa.
No dia seguinte, como era de se esperar, morreu agonizando com um tiro certeiro na barriga. Seu enterro foi uma cópia do seu pai: policiais e republicanos se enfrentaram. O ano era 1832, o dia, 31 de maio, a idade de Galois, 20 anos.
Em 1846, sua obra foi conhecida por Joseph Liouville. Reconhecendo a genialidade, passou meses interpretando aqueles cálculos. Ao terminar, divulgou os resultados, e os matemáticos da Europa se depararam não apenas com a completa explicação para resolução das equações do quinto grau, como também com aquelas dos graus acima que podiam ser solucionadas.
Galois considerou os conjuntos das raízes das equações, em vez de considera-las individualmente. Depois, estudou-as como esses conjuntos se comportavam quando eram submetidos a certas circunstâncias, transformações, substituições... A extrema novidade dessa matemática serve como atenuante ao juízo dos matemáticos que não conseguiram interpretá-la. Galois pagou o preço por estar a frente do seu tempo.
Temos muito a aprender com isso... o que fazemos quando nos deparamos com o que não entendemos, com os diferentes...?

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Três corpos de Buda e Santíssima trindade.

Algumas tradições místicas dizem que durante o período da vida de Cristo em que não é descrito pelos evangelhos ele esteve e estudou com sábios orientais. Ao lermos a história e os símbolos relacionados a Siddartha Gautama, o que se tornou Budha, o desperto, vemos vários pontos parecidos. Mas, vale a pena lembrar, Buda viveu no séc. VI antes de Cristo. Quando surge Cristo, a filosofia budista já estava bem sedimentada. Bom, quem tiver interesse pesquise mais sobre a vida de ambos... é um assunto muito longo para tratar aqui.
Então mostrarei aqui apenas um ponto bem interessante a esse respeito, que nos dá indícios de uma possível origem - se os místicos citados estiverem certos - da santíssima trindade.
Os três corpos de Buda.
Dharmakaya: o corpo dos ensinamentos, o corpo do caminho, a fonte da iluminação e felicidade. Em seu significado original: "o corpo para atingir a compreensão e o amor".
Sambhogakaya: o corpo da bem-aventurança, deleite, celebração, resultados ou recompensas.
E o mais interessante nessa comparação, para mim, é este último, nitidamente comparado ao "filho":
Nirmakaya: Shakyamuni, o Buda histórico, é o Nirmakaya, um raio de luz enviado ao mundo pelo sol do Dharmakaya para ajudar e aliviar o sofrimento dos seres vivos.
Tirem suas conclusões.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Shiva, o Deus dançarino.

Talvez o símbolo mais elegante da criação e destruição cíclica do universo seja essa imagem do Deus dançarino  do hinduísmo, uma das personificações de Brahman. Em sua mão direita superior há o tambor, símbolo primordial da criação; a segunda mão direita, espalmada significa: não tenha medo, o universo funciona dessa forma, criando e destruindo, nascendo e morrendo; a mão esquerda superior segura a chama, o símbolo da destruição, o equilíbrio entre as mãos representa o equilíbrio entre a criação e destruição; a segunda mão esquerda aponta para o pé erguido, representando a libertação da fascinação de Maya, a ignorância, o apego; além de tudo, sua face calma e tranquila, nos mostrando que tudo é ilusório e passageiro. Nietzsche já dizia que não podia acreditar em um deus que não dança. Nunca pare de dançar, Shiva!